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Sol + atmosfera = vida na terra!

Em um universo vasto, com inúmeras galáxias, sóis, e planetas, a Terra é o único, até então detectado, que possui não somente abundantes condições para a vida, mas também a abriga de forma exuberante. A configuração do sistema terrestre engloba uma distância ideal do Sol, a principal fonte de energia, que é transmitida na forma de radiação eletromagnética, como também uma superfície que interage de forma muito particular com essa radiação incidente, e uma atmosfera que se comporta de forma ideal para proteger o planeta e seus habitantes de porções de radiação nocivas à vida, e que mantém a temperatura global em uma faixa que permite a existência e prosperidade de incontáveis seres vivos.

Já vimos anteriormente algumas características da radiação solar e também de algumas de suas interações com a atmosfera. Hoje, veremos como a radiação que consegue atravessar a atmosfera e incide sobre a superfície interage com ela, e como essa interação afeta nossa vida, em termos das cores com que enxergamos todas as coisas, do aquecimento superficial e dos movimentos atmosféricos.

Toda a radiação que chega à superfície terrestre - seja essa superfície um oceano, um deserto, floresta, uma cobertura de gelo polar, ou qualquer outra - será absorvida ou refletida de volta para o espaço sideral. Dependendo das características dessa superfície, o percentual refletido/absorvido será maior ou menor, e essas interações estão relacionadas até mesmo com a faixa do espectro solar a ser refletido/absorvido. Por exemplo, uma região coberta de neve irá refletir quase toda a radiação que incidir sobre si. Uma região florestada, no entanto, absorverá boa parte dessa radiação. E essa dinâmica de absorção/reflexão determina as cores de tudo o que enxergamos: a folha da árvore é verde porque, ao mesmo tempo em que ela reflete a radiação solar correspondente à cor verde, ela absorve todas as outras faixas do espectro. Uma superfície branca reflete todas as cores, e uma superfície negra absorve todas as cores. Essa razão entre radiação refletida e incidente é denominada "albedo", e varia de 0 a 1. As regiões cobertas de gelo ou os desertos têm albedo elevado, mais próximo de 1, enquanto que os oceanos possuem albedo de aproximadamente 0,1.



Isso também implica em aquecimento diferencial: superfícies com albedos diferentes absorvem quantidades diferentes de energia e se aquecem de forma diferente. E essa propriedade influencia em muito no nosso dia-a-dia. É por este motivo que temos as "ilhas de calor urbano": o asfalto e concreto das cidades absorve muita energia e contribui para maiores temperaturas em zonas urbanas, quando comparado com regiões rurais nas proximidades, em uma diferença de até 5 graus Celsius. Esse aquecimento diferencial também é responsável por movimentos atmosféricos em diferentes escalas, como por exemplo:

- Escala global: A circulação geral da atmosfera tem sua origem no aquecimento diferencial entre as regiões polares e a equatorial. De forma simplificada, o ar mais aquecido no equador é mais leve (menos denso) e sobe, provocando a movimentação de massas de ar mais frio dos pólos em direção ao equador.

- Grande escala (da ordem de 1.000 km): um dor processos de formação de sistemas de baixa pressão é de origem térmica, como a baixa do Chaco na região do Paraguai e as monções na Índia.

- Mesoescala (cerca de 100 km): as brisas mar-terra e vale-montanha, em que o ar se desloca em direção às regiões que se aquecem mais rápido.

- Microescala (ordem de 1 a 10 km): Tempestades isoladas, tornados, e outros fenômenos do tipo também ocorrem em resposta ao aquecimento diferencial.


Portanto, todo o processo de mudança de ocupação do solo, seja ele desmatamento, urbanização, queimadas, causará impactos no albedo e no aquecimento local da superfície.


Veja a questão do ENEM de 2017 na figura abaixo. Você saberia responder corretamente?